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domingo, 21 de novembro de 2010

Mesmice

Eu continuo agindo ser apenas sua melhor amiga, continuo sorrindo por coisas bobas que você fala e continuo chorando sozinha quando você está longe. Eu continuo vivendo uma mentira que você não sabe que existe, continuo me remoendo por tudo que poderíamos ter sido, continuo lembrando das vezes que você temia que eu te deixasse. Eu continuo pensando se você voltaria pra mim, continuo fazendo planos para nós dois no futuro, continuo lembrando do jeito que você me olhava. Eu continuo me decepcionando comigo e com você. E me vejo na mesmice de meses atrás, continuando tudo o que estava fazendo, nada de novo. Eu continuo querendo você aqui perto, continuo pensando em você toda vez que eu acordo, eu continuo te amando. Mas quero mudar, não quero agir como se não me importasse de verdade com você, quero sorrir só do que eu achar que vale a pena e chorar na sua frente. Eu quero viver uma verdade bem contada junto com você, quero esquecer do que poderiamos ter sido e nos tornar algo, eu quero fazer você me querer. Eu quero que você volte pra mim, quero parar de fazer planos e viver a realidade que nós fizemos juntos, quero seu olhar de volta, quero me decepcionar com outro alguém. Não quero me ver na mesma mesmice de antes, quero algo novo. Eu quero novidades, mas não adianta eu querer. E me vejo, escrevendo coisas sem sentido, tentando explicar para o computador o quanto você me machuca e me corrói, mas o quanto me faz bem. Assim como eu fazia, a meses atrás.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A.

Eu cansei de me enganar, não quero mais mentir para o meu coração, ele sempre foi tão rígido, por que agora teve que amolecer? Ele estava quieto e eu tive que mexer com ele, claro. Eu não estava feliz, não sentia nada, mas agora eu estou confusa, são todos os sentimentos misturados. O ódio, a raiva e a decepção por ter sido tão boba e enganada e continuar lutando. O amor, a paixão e a saudade daquele que quebrou meu coração, mas é refletido em todas as mínimas partes dele. Não é por falta de vontade, é por esperança. Por mais que eu queira esquecer aquela figura perfeita que brilha entre os outros jovens, para o meu próprio bem, ao mesmo tempo eu quero esperar até chegar a minha vez de ser feliz novamente ao seu lado. Metade de mim está farta de tanto desapontamento, de tanta mentira e de tanto sofrimento; mas a outra metade está pronta para o que der e vier, para continuar lutando com todas as forças, para esquecer tudo o que passamos e continuar nessa batalha interminável. Sinto que estou prestes a desmoronar, que uma hora tudo isso que estou sentindo vai sair da minha boca e você vai ouvir tudo o que eu tenho pra te dizer nos meus piores momentos. Sinto que as coisas vão desaparecer no vácuo e você vai junto com elas, que eu não vou me lembrar de você e não vou sentir nada quando você vier falar comigo. Mesmo que eu ficasse sem sentimento algum, eu preferiria desmoronar. Ficar no chão parece muito melhor do que lutar, mas eu não consigo parar, algo dentro de mim me puxa à luta e eu sinto que você está esperando até eu dizer que te amo. Não importa quantas vezes eu tenha que me machucar, eu não vou dizer isso nunca mais para você, bem, eu espero que não, ou não enquanto você estiver esperando. Eu vou deixar de ser aquela garota boazinha na qual você fez eu me transformar, naquela garota carinhosa e meiga que seus amigos adorariam conhecer e que você adoraria exibir. Eu vou voltar a ser a menina amarga e seca que eu sempre fui, não porque eu quero, porque a outra garotinha doce me lembra você e eu estou disposta a te esquecer, para o meu próprio bem. Perceba que nesse texto parece que há duas pessoas falando, e esses são os meus dois lados, no qual você me dividiu. Quando eu estou com você só aparece o lado meigo, mas quando a decepção e a consciência vem à tona, essa parte parece desaparecer. Cada parte do meu corpo briga infinitamente com a parte oposta dele por ocupação. Todos os milímetros da minha alma querem mais espaço para elas e isso está me matando aos poucos e quem causou isso foi você. Você é o culpado por toda essa confusão que já dura meses, mas eu não poderia te transformar no vilão dessa história, porque você sempre será meu herói. Eu sei que daqui a pouco tudo estará resolvido e eu serei a sua melhor amiga novamente. E é isso que eu quero, é isso que eu vou ter. Apenas a sua amizade, nada mais. Mas, por enquanto, eu te amo com todas as minhas forças. 

domingo, 24 de outubro de 2010

Eu quero

Eu estarei lá, no final no mundo, aonde termina o céu. Não estarei lá por você, ou te esperando, eu estarei lá por mim, pra descobrir quem eu sou e se quiser ir comigo, eu já aviso que vou caminhando. Não tenho pressa em descobrir do que minha alma é feita, mas se ficar parada eu posso mofar, então estou sempre lentamente caminhando, para sair do lugar. Quando eu tocar o final do céu eu aviso, quando eu conseguir chegar no fim do mundo eu te chamo, pra gente continuar nossa caminhada juntos, mas por enquanto, eu quero chegar até lá sozinha. Eu quero olhar pra trás e ver que andei com as minhas próprias pernas e que não precisei de companhia pra isso. Eu quero ver o sol nascer e lembrar de quando passava as noites em claro lembrando de você e saber, que agora, eu passo as noites caminhando pensando em mim. Eu quero sentir a chuva gelada tocar meu corpo e lembrar das lágrimas que arrepiavam meu rosto quando a gente brigava, e saber, que agora é a chuva que está me dando calafrios. Eu quero poder cantar a vida sem falar de amor, quero poder falar de liberdade sem falar na perda de alguém, eu quero falar do futuro sem ter "pra sempre", eu quero pensar em morrer, mas não por amor. Eu quero mais eu, quero menos você. Eu quero poder olhar no espelho e me ver completa, quero que eu seja minha metade e que você seja só meu passado. Eu quero olhar para o céu, ver as estrelas, e saber que um dia eu olhei pra elas pensando em você, mas hoje eu olho pra elas como um objetivo, são elas que eu quero alcançar. Eu quero sentir a brisa levando embora tudo o que me prendia ao meu passado. Eu quero uma vida nova, um novo começo, mas tem que ser agora, porque amanhã já pode ser tarde demais e pode não dar tempo de chegar aonde eu quero. Porque eu sei o que eu quero, de tudo eu posso, mas eu quero sozinha e eu vou conseguir, sozinha. E não vou me lamentar por isso!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Percepção



Não havia malícia nos olhos dela, e nem duplo sentido em suas palavras. Ninguém riria se ela falasse alguma palavra embaralhada ou alguma frase estranha, seria mais do que normal. Ninguém poderia exclui-la por estar descobrindo um mundo ou ter olhos feios voltados para ela. Todos diziam as mesmas palavras, todas no diminutivo, e mesmo que eles não percebessem, isso a irritava profundamente. Ser "fofinha", "bonitinha", não agradavam-na, ela queria ser maior, gente grande; queria se tornar mais do que uma criança, porque todos acreditavam e faziam-na acreditar que criança é apenas criança, não tem responsabilidades, não se importa com a vida e não sabe de nada. Ela queria ser adolescente. O tempo passou, e seu pedido foi atendido, a criança se tornara adolescente e aquele era o primeiro "dia das crianças" em que ela não ganhava presente, já com seus 14 anos. Ela estava com um aperto no coração e sabia do que sofria, sabia que estava apaixonada e que seu amor não era correspondido. Estava organizando suas coisas - aproveitando a semana sem aula - quando algo tirou-a a atenção, era uma foto de seu primeiro presente que lembrava, ela tinha 5 anos e havia ganhado uma "polly". Mas o que realmente a tocava não era a foto e o presente, era lembrar o quanto queria crescer e agora, saber que queria voltar no tempo pra aproveitar mais a vida invés de ficar sonhando com o futuro. As lágrimas foram pingando lentamente na foto e ela se olhou no espelho com o intuito de ver, nele, algo daquela menininha da foto, mas tudo o que encontrou dela foi o diminutivo. Ela nunca foi "bonitona", "lindona", "gostosona", mas agora, diferente de quando era criança, ela sabia que não precisava disso,
porque ela sabia, no fundo de sua alma, que seu brilho era um pouco maior que o de todas as outras.